Projeto de lei foi apresentado nesta terça na Câmara de São Paulo.
Segundo presidente da Parada, travestis não são ameaça às mulheres.
Segundo presidente da Parada, travestis não são ameaça às mulheres.
O projeto foi gerado no embalo da polêmica proibição sofrida pelo cartunista Laerte Coutinho, que usa roupas de mulher, de utilizar o banheiro feminino. O artista de 60 anos foi advertido no último dia 24 por um dos sócios de uma padaria na Zona Oeste de São Paulo, após uma mulher com uma criança reclamar da sua presença no banheiro feminino. O relato foi feito por Laerte em seu Twitter. Para Apolinário, a presença das travestis em banheiros femininos causa "constrangimento", e a existência de um banheiro unissex pode assegurar ao público LGBT e a quem mais quiser utilizar um banheiro sem preocupações.
Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, o projeto visa “criar uma segregação” de LGBTs da convivência dos heterossexuais. Ele afirma não entender como alguém pode sentir-se incomodado porque uma travesti vai ao banheiro feminino. “As mulheres não são objeto de desejo das travestis. Mesmo se ela vir uma mulher pelada, pode no máximo falar que ela tem um corpo bonito, ou que tem celulite”, diz.
Ele cita também o fato de os banheiros femininos não terem mictórios - o que significa que cada vaso sanitário é usado de maneira reservada.
Para Quaresma, Carlos Apolinário é um perseguidor da comunidade. “Ele recebeu um mandato para trabalhar pelo povo, e passa seu tempo propagando o ódio ou então tentando banalizar o nosso trabalho porque sabe que dá mídia. Quer aparecer”, diz, em referência ao Dia do Orgulho Heterossexual, que Apolinário tentou criar por meio de um projeto de lei. O texto chegou a ser aprovado pela Câmara, mas, após fortes críticas de LGBTs, foi vetado pelo prefeito Gilberto Kassab.
A iniciativa de Apolinário não foi a primeira do tipo no país. No Rio de Janeiro, a escola de samba Unidos da Tijuca criou banheiros exclusivos para LGBTs com a inscrição "GLS". A medida também gerou polêmica, mas, segundo a escola, a iniciativa partiu do pedido das travestis que frequentam a Unidos da Tijuca e queriam sentir-se mais à vontade no banheiro.
Factoide
Na opinião de Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a criação de um banheiro unissex é um “acinte” à inteligência humana. “Esse senhor é um criador de factoides”, afirma Reis.
Ele diz que, em vez de aumentar de dois para três os tipos de banheiro, o mais recomendável é reduzir para um. “Banheiro é apenas para necessidades, fazer maquiagem, lavar o rosto. Deve ser um lugar onde as pessoas se respeitam”, afirma. Reis classifica a iniciativa como um "apartheid". “É como ter um banheiro exclusivo para judeus ou negros”, diz.
Ao contrário da posição dos representantes LGBTs, o vereador Carlos Apolinário diz acreditar que o projeto é benéfico para o público e que deve receber apoio.
Banheiro LGBT em escola
A partir deste ano, o colégio estadual Vicente Rijo, em Londrina no Paraná, terá um banheiro exclusivo para alunas e alunos LGBTs. O assunto dividiu opiniões nesta quarta-feira (8), primeiro dia de aula. O colégio destinou um banheiro que era pouco usado e outro, que até então, era exclusivo dos professores.
A medida, segundo o diretor Donizetti Brandino, foi adotada porque alunos reclamaram de constrangimento no sanitário masculino e foi aprovada pelo Conselho Escolar.
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